quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Zero e / ou um


Zero e/ou um
(Para Alexandre Mendes Hughes)
Eis o ser magnífico, do movimento, do pensamento, e também do sofrimento.
É o homem dicotômico do gênero aos sentidos, preso a metáforas.
Metáforas dos sentidos, sim – dos sentidos, apenas isto, nada menos.
Pensamentos metafóricos pelo simples fisiologismo
Seres reduzidos ao sentir e a responder estímulos.
Um a um, dois a dois, métricas reduzidas de um ser ... magnífico.
E antes que meu vislumbre se acabe, meu amor se esgote como gotas d’água numa biqueira,
Quero dizer, amo este ser do pensamento e pelo pensamento e apenas pelo pensar o odeio.
Na mesma medida, nos dois sentidos ou pelos sete lados ... Amor e ódio
Eis o ser dicotômico e perdido de si mesmo,
Perdido no tempo-espaço, onde toda beleza se esconde.

Frederic Mendes Hughes (01/11/2012 – 21:40)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Estações do Ser

Estações do Ser

Janela dos mundos
penso existir
na ausência do tempo

Caminho estradas
sentindo desejos
nas manhãs que perdi

Lembranças de folhas
esquecimento dos frutos
certeza e devir

Outono dos seres
primavera das coisas
verão sem janela

O inverno é aqui
onde as manhãs se perdem
e daquela janela (...) o mundo esqueci

Afã, Espera, Quimera, Homem: Traços do Vir a Ser


Afã, Espera, Quimera, Homem: Traços do Vir a Ser

A meia luz encontra-se um ser meio homem meio macaco feito nós
Tentando sonhar com seus sonhos de vir a ser de tornar-se
E ao sonhar com seus sonhos percebe que sonha só a meia luz
E ao perceber que está só espera por novos sonhos

  Nesta quimera mítica de ser e estar enquanto homem
Ergue-se a meia luz algo disforme um infante do mundo moderno e fruto de outrora
Um homem meio pronto inacabado pelo afã do devir
Erigido por ilusões sonhos conceitos muito do oposto e pouco de si mesmo

Mas o que espera este homem além do desejo de tornar-se?
(Re)fazer e (re)nascer perante a tranquilidade de puramente ser antes de tornar-se
Esta simples aceitação enquanto só a meia luz e à sombra da sua outra metade
O impele brutalmente ao mito de Sísifo o de ser criativo na repetição e na monotonia

Mas o que fazer com o espólio da divina comédia humana deste ser atemporal?
Aprender e sublimar vendo nossos sonhos e nossas escolhas
Na perspectiva de um ser transvalorado e recriado numa antropofagia ideológica
Puramente eu simplesmente nós a plena luz do Ser.